segunda-feira, 11 de maio de 2015

Confissões


Tudo que eu queria pra essa madrugada
Era acreditar no fim dessa angústia
No bom convívio com um corpo que,
Entre tantos corpos, ousou ser o meu
Tão inocentemente transgressor
Tão violentamente oprimido
Renegado do Olimpo
Tudo que eu queria pra essa madrugada
Era acreditar que toda essa angústia
É fruto de uma paranoia indigna de uma sociedade justa
Que meus ancestrais não foram explorados
Que sua auto estima não fora esmagada
Com o tacape da ditadura magra e branca
Com a arte do afogamento
Através do afago
Um rosto tão bonito...
Um corpo tão errado,
tão assimetricamente persistente


Tudo que eu queria pra essa madrugada
Era acreditar que há beleza no estranho
Tesão no grotesco
Em definições mais valorizadas que as do abdome
Que o nariz horizonte é tão belo quanto o adiante
Que o cabelo crescente ao norte é uma coroa natural
Digna das pálidas rainhas com cabelos crescentes ao sul
Que pra cada besta, existe um príncipe oculto
Visível até a olho nu
Por falar em nu...
Acreditar que cada corpo tem o direito de se expor
Pois tamanho não é mais documento
Pretos ou brancos, redondos ou retos,
Somos todos deliciosamente belos
Ardentemente desejos
Fatalmente humanos

*escrito em 14 de agosto de 2013
** pouco mudou de lá pra cá...


#pretoegordo







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2 comentários:

Paula Bolonha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula Bolonha disse...

Assim você me arrebenta, moço!!